Navegar pelo processo de rescisão de emprego em Portugal requer uma compreensão completa das leis trabalhistas do país, que são projetadas para oferecer uma proteção significativa aos empregados. A estrutura legal regula tudo, desde os motivos válidos para demissão até os procedimentos específicos que devem ser seguidos e a compensação devida ao empregado. Os empregadores devem aderir estritamente a essas regulações para evitar desafios legais potenciais e penalidades.
Compreender as nuances do direito trabalhista português é crucial para qualquer empresa que opere no país, seja tendo uma entidade local ou empregando indivíduos remotamente. A gestão adequada do processo de rescisão garante conformidade, mitiga riscos e mantém um tratamento justo aos empregados de acordo com os padrões locais.
Requisitos de Período de Aviso
O período de aviso necessário para a rescisão iniciada pelo empregador em Portugal depende do tempo de serviço do empregado na empresa. Estes são períodos mínimos, e períodos mais longos podem ser acordados no contrato de trabalho ou em acordo coletivo.
| Tempo de Serviço | Período Mínimo de Aviso |
|---|---|
| Menor que 1 ano | 15 dias |
| De 1 a 5 anos | 30 dias |
| De 5 a 10 anos | 60 dias |
| Mais de 10 anos | 75 dias |
Durante o período de aviso, o empregado geralmente tem direito ao salário e benefícios habituais. A falha em fornecer o período de aviso correto normalmente exige que o empregador pague ao empregado uma compensação equivalente ao salário que teria recebido durante o período de aviso não cumprido.
Cálculos de Indenização de Rescisão
A indenização de rescisão, também conhecida como compensação por encerramento do contrato, geralmente é requerida em Portugal para rescisões iniciadas pelo empregador sem justa causa (por exemplo, despedimento coletivo, extinção do cargo). O cálculo é baseado no tempo de serviço do empregado e no seu salário base mais adicionais de antiguidade.
O cálculo padrão para a indenização de rescisão é de 14 dias de salário base e adicionais de antiguidade por cada ano completo de serviço.
- O cálculo baseia-se na média do salário base e adicionais de antiguidade recebidos nos últimos 12 meses.
- Para frações de ano, a indenização é calculada proporcionalmente.
- Geralmente há um limite para o valor total da indenização, frequentemente relacionado a um múltiplo do salário mínimo nacional ou do salário mensal do empregado, dependendo das circunstâncias específicas e da data de assinatura do contrato.
É importante notar que regras diferentes podem se aplicar a contratos assinados antes de certas datas (por exemplo, 1 de novembro de 2011 ou 1 de fevereiro de 2013), potencialmente resultando em direitos de indenização mais altos com base em frameworks legais anteriores para o período de serviço sob essas regras.
Motivos para Rescisão
A legislação portuguesa especifica motivos limitados pelos quais um empregador pode rescindir um contrato de trabalho de forma legal. Estes são amplamente categorizados como rescisão com causa e rescisão sem causa.
Rescisão Com Causa (Justa Causa)
A rescisão com justa causa ocorre quando o empregado comete uma infração grave que torna a continuação do relacionamento empregatício imediatamente impossível. Exemplos de justa causa incluem:
- Infrações disciplinares graves (por exemplo, ausências injustificadas repetidas, insubordinação, roubo, danos à propriedade da empresa).
- Falta de produtividade ou qualidade que afete as operações da empresa, desde que o empregado tenha recebido oportunidades para melhorar.
- Violação de confidencialidade ou regras da empresa.
Este tipo de rescisão normalmente não exige que o empregador pague uma indenização, mas o ônus da prova da justa causa recai inteiramente sobre o empregador.
Rescisão Sem Causa
A rescisão sem causa é permitida sob circunstâncias específicas relacionadas à situação econômica ou estrutural da empresa, não à conduta do empregado. Os principais tipos são:
- Despedimento Coletivo: Rescisão de vários empregados simultaneamente devido a razões de mercado, estruturais ou tecnológicas. Limites específicos se aplicam com base no tamanho da empresa e no número de empregados dispensados.
- Extinção do Cargo: Rescisão devido à eliminação de uma função ou cargo específico por motivos econômicos, tecnológicos ou estruturais, desde que as tarefas não sejam atribuídas a outro empregado.
- Inadequação: Rescisão devido à incapacidade do empregado de se adaptar a novos processos de trabalho ou tecnologias, desde que condições específicas sejam atendidas, incluindo oportunidades de treinamento.
Esses tipos de rescisão requerem o cumprimento rigoroso de requisitos procedimentais e geralmente garantem ao empregado o direito a indenização.
Requisitos Procedimentais para Rescisão Legal
O procedimento para rescisão varia significativamente dependendo dos motivos da demissão. Não seguir o procedimento correto é um erro comum e pode tornar a rescisão ilegal.
Rescisão Disciplinar (Com Justa Causa)
O processo é altamente formalizado:
- Notificação de Intenção: O empregador deve notificar o empregado por escrito sobre a intenção de rescindir, detalhando os fatos atribuídos ao empregado, os motivos legais e as possíveis consequências.
- ** Defesa do Empregado:** O empregado tem um período (geralmente 10 dias úteis) para responder por escrito e apresentar sua defesa, podendo solicitar a revisão do processo e apresentar testemunhas.
- Investigação/Perícia: O empregador pode conduzir uma investigação, ouvir testemunhas apresentadas por ambas as partes.
- Decisão Final: Com base nas evidências e na defesa, o empregador emite uma decisão final por escrito, podendo proceder com a rescisão, aplicar uma sanção menor ou arquivar o processo. A decisão deve ser bem fundamentada e enviada ao empregado.
Rescisão Sem Causa (Despede Coletiva, Extinção de Cargo)
Estes processos envolvem requisitos de consulta e notificação:
- ** Comunicação ao Empregado e Representantes:** O empregador deve informar os empregados afetados e, se aplicável, os representantes dos trabalhadores (por exemplo, sindicato, comissão de trabalhadores) sobre a intenção de rescindir, fornecendo justificativa detalhada (motivos econômicos, estruturais, tecnológicos).
- Período de Consulta: Segue-se um período de consulta (variando dependendo do tipo de rescisão e do número de empregados) onde acontecem discussões com os representantes dos empregados para explorar alternativas.
- Notificação às Autoridades: O empregador deve notificar o órgão governamental relevante (por exemplo, Ministério do Trabalho) sobre a rescisão proposta.
- Decisão Final e Notificação: Após o período de consulta, o empregador toma uma decisão final e notifica por escrito os empregados, especificando os motivos, a data efetiva e o cálculo da indenização.
Proteções dos Empregados Contra Despedimento Indevido
A legislação portuguesa oferece fortes proteções contra despedimento indevido. Uma dispensa é considerada indevida se:
- Baseada em motivos não permitidos por lei.
- O empregador não segue o procedimento legal correto.
- Os motivos alegados para a rescisão não são comprovados.
Se um tribunal considerar um despedimento como indevido, o empregador pode ser condenado a:
- Reintegrar o empregado: O empregado retorna ao seu cargo com pagamento de salários atrasados desde a data da rescisão.
- Pagamentos de indenização ao invés de reintegração: Se a reintegração não for viável ou desejada pelo empregado, o empregador deve pagar uma indenização determinada pelo tribunal, que geralmente é maior que a indenização padrão, variando de 15 a 45 dias de salário base e adicionais de antiguidade por ano de serviço, com um mínimo padrão.
Os empregados têm o direito de contestar sua rescisão na justiça, cabendo ao empregador provar legalidade da rescisão e conformidade com o procedimento. Isso torna crucial uma documentação detalhada e o cumprimento estrito dos requisitos legais por parte dos empregadores em Portugal.
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