Brazil é a maior economia da América Latina, caracterizada por crescimento robusto e um setor privado dinâmico. Nos últimos anos, o crescimento do PIB tem sido projetado em 2,4% para 2025 e 2,2% para 2026, com setores como tecnologia, engenharia, agricultura e serviços competindo ferozmente por talentos qualificados. Um mercado de trabalho apertado e o desemprego em níveis recordes baixos levaram 81% das empresas brasileiras a enfrentarem dificuldades para contratar ou reter profissionais qualificados. Nesse ambiente, os empregadores frequentemente recorrem ao talento global.
No entanto, trazer trabalhadores estrangeiros requer uma conformidade cuidadosa com as leis de imigração. Sob a legislação brasileira, qualquer estrangeiro que trabalhe localmente deve possuir o visto e as autorizações apropriadas. O não cumprimento pode resultar em multas pesadas, responsabilidade legal ou até deportação. Para os empregadores, entender as regras de visto do Brasil é fundamental para evitar atrasos ou riscos. Este guia explica quem precisa de um visto de trabalho, as principais categorias de visto, responsabilidades do empregador e as melhores práticas para realocar funcionários com sucesso para o Brasil.
Quem Precisa de um Visto ou Permissão de Trabalho no Brasil?
Cidadãos brasileiros e estrangeiros com residência permanente podem viver e trabalhar livremente no Brasil sem permissão adicional. Em contraste, todos os demais estrangeiros devem obter um visto adequado para realizar qualquer atividade de trabalho dentro do país. Na prática, isso significa que quase qualquer funcionário não brasileiro, inclusive aqueles de países isentos de visto, precisa de um visto de trabalho antes de começar a trabalhar no Brasil. Visitantes em viagens curtas de turismo ou negócios (por exemplo, participando de reuniões ou conferências) não têm permissão para realizar trabalho remunerado; apenas estrangeiros que entram com um visto de trabalho ou alguns vistos especiais podem legalmente trabalhar.
O Brasil oferece privilégios de visto para algumas nacionalidades; por exemplo, cidadãos de países membros do Mercosul (como Argentina, Paraguai e Uruguai) podem solicitar uma permissão de residência temporária simplificada para viver e trabalhar no Brasil. Contudo, mesmo nesses casos, os empregadores geralmente precisam registrar formalmente o trabalhador. A conclusão é: se você está trazendo alguém de fora do Brasil para desempenhar uma função, mesmo remotamente, planeje obter um visto de trabalho ou autorização de residência adequada para essa pessoa.
Para funcionários que já possuem residência permanente legal no Brasil, não é necessário um visto adicional. No entanto, o empregador ainda precisa registrá-los corretamente para fins fiscais e trabalhistas, assim como faria com um contratado local.
Principais Tipos de Visto de Trabalho no Brasil
O Brasil oferece várias categorias de visto que permitem aos estrangeiros trabalhar. Os empregadores devem compreender os principais tipos de vistos de trabalho que provavelmente se aplicam:
Visto de Trabalho Temporário (VITEM V) para o Brasil
Este é o visto de trabalho mais comum para funcionários estrangeiros sob um contrato de trabalho brasileiro. É concedido por um período definido, geralmente até dois anos, com possibilidade de prorrogação de mais dois anos, e pode ser utilizado por profissionais estrangeiros contratados para funções específicas. Por exemplo, engenheiros, técnicos, pesquisadores, consultores ou especialistas qualificados que ingressam com um contrato de trabalho formal no Brasil usariam o VITEM V.
Os candidatos devem possuir um contrato de trabalho válido ou uma carta de oferta, e o empregador brasileiro atua como patrocinador do visto. Após aproximadamente quatro anos com VITEM V, os funcionários podem qualificar-se para trocar por um visto permanente. Sob VITEM V, empresas com uma entidade brasileira já existente primeiro obtêm uma autorização de residência junto ao Ministério da Justiça do Brasil, antes de o visto ser emitido por um consulado.
Visto de Nômade Digital (Trabalho Remoto) para o Brasil
Lançado em 2022, esse visto brasileiro permite que estrangeiros residam no Brasil enquanto trabalham remotamente para um empregador estrangeiro. Ele é especificamente direcionado a nômades digitais e contratantes remotos, não para aqueles contratados por uma empresa brasileira. O requerente deve demonstrar prova de emprego remoto contínuo ou contrato com uma firma estrangeira, renda suficiente acima de um limite mínimo, seguro de saúde e ficha criminal limpa.
O Visto de Nômade Digital (VITEM XIV) concede uma estadia de até um ano, renovável por mais um ano. Os empregadores normalmente não "patrocinam" esse visto; ele é requerido diretamente pelo funcionário, de forma independente, como residente. No entanto, se sua empresa estiver formalmente relocando alguém para trabalhar para você de dentro do Brasil, permanecendo na sua folha de pagamento estrangeira, esse visto pode ser relevante.
Visto de Transferência Intra-empresa (Transferência Multinacional) para o Brasil
Empresas multinacionais que transferem funcionários entre escritórios frequentemente usam essa categoria. O visto de transferência intra-empresa é, essencialmente, um subtipos do visto de trabalho destinado a executivos, gerentes ou funcionários especializados do mesmo grupo corporativo. Permite que um funcionário estrangeiro trabalhe em uma filial, subsidiária ou afiliada brasileira de seu empregador.
A elegibilidade normalmente requer que a pessoa tenha sido empregada pela empresa por um determinado período antes da transferência (geralmente pelo menos um ano) e que ocupe um cargo de alto nível. A entidade brasileira patrocinadora ainda deve obter as autorizações necessárias, assim como no caso do VITEM V. Na prática, transferências intra-empresa costumam se enquadrar no processo geral do VITEM V, mas empresas internacionais devem mencionar o contexto de transferência ao solicitar.
Visto de Trabalho Permanente (Visto de Residência Permanente) para o Brasil
Para posições de longo prazo, muitos empregadores buscam obter um Visto de Trabalho Permanente (às vezes chamado de visto VIPER) imediatamente. Ele é concedido a profissionais altamente qualificados, executivos, diretores ou investidores relevantes cuja permanência prevista seja de longo prazo. Exemplos incluem especialistas técnicos, pesquisadores universitários ou diretores de empresas que vêm para missões de vários anos.
Um Visto de Trabalho Permanente exige um patrocinador brasileiro e, normalmente, prova da expertise extraordinária do candidato ou de um investimento substancial no Brasil. Por exemplo, uma empresa pode patrocinar um executivo para obter um visto permanente se ele for servir no Brasil indefinidamente. O Visto Permanente concede residência permanente imediata, sendo ideal para compromissos de longo prazo.
Processo de Patrocinamento pelo Empregador e Responsabilidades no Brasil
A legislação de imigração brasileira exige que o empregador (ou entidade anfitriã) desempenhe um papel ativo ao patrocinar um funcionário estrangeiro. As principais etapas e responsabilidades são:
Preparar um Contrato de Trabalho Formal no Brasil
O processo normalmente começa como em uma contratação local: o empregador emite uma oferta ou contrato de trabalho por escrito em português, detalhando salário, funções, duração e benefícios. Este contrato deve estar em conformidade com a legislação trabalhista brasileira (regras da CLT), incluindo termos como jornada de trabalho, férias, contribuições do FGTS. A empresa deve estar registrada (número CNPJ) no Brasil e ter autoridade para contratar, seja como empresa, filial ou escritório de representação.
Solicitar Autorização de Trabalho Antecipada no Brasil
Antes que o consulado possa emitir o visto de trabalho, o empregador brasileiro deve requerer uma “Autorização de Residência Prévia” junto ao governo federal. Isso é feito online pelo portal de imigração do Brasil (MIGRANTEWEB 2.0), gerenciado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O empregador envia o contrato de trabalho e outros documentos de suporte, como registro da empresa, demonstrações financeiras e qualificações do candidato. A Autoridade de Imigração do Ministério da Justiça revisa o pedido e concede ou nega a autorização. Essa autorização é, essencialmente, uma aprovação para contratar o estrangeiro e é válida por 6 meses após a concessão.
Seguir os Requisitos Normativos no Brasil
As regulamentações brasileiras muitas vezes exigem que o perfil profissional do estrangeiro realmente corresponda à vaga e, em vários casos, que não haja candidato brasileiro adequado. Na prática, as empresas às vezes precisam explicar por que o estrangeiro é essencial e podem ser solicitadas a comprometerem-se a treinar trabalhadores locais ao longo do tempo. Resoluções recentes de imigração estabelecem critérios específicos para diferentes funções. Assim, fornecer justificativa clara e evidências (certificados, CV, expertise) é importante para evitar atrasos desnecessários.
Solicitar Visto no Consulado Brasileiro
Após a aprovação da autorização de residência, o empregador receberá uma notificação (e número oficial de autorização). O próximo passo é que o funcionário solicite o visto no consulado brasileiro em seu país de origem. Normalmente, o empregador auxilia coletando formulários, recibos de pagamento de taxas e documentos exigidos, como cópia do passaporte, fotos, certidão de antecedentes criminais, contrato de trabalho e prova da autorização. O consulado verificará a lista de autorizações publicada pelo Brasil. Se tudo estiver em ordem, emitirão o visto temporário (VITEM) no passaporte do funcionário. Mesmo nacionais da UE em missões de trabalho agora precisam desse visto, embora viagens curtas de turismo ou negócios não exijam mais.
Coordenação com Órgãos do Governo Brasileiro
Sob a legislação brasileira, três órgãos governamentais participam do processo: o Ministério da Justiça (que concede a autorização), o Ministério das Relações Exteriores (que emite o visto nos consulados) e a Polícia Federal (que registra o funcionário na chegada). Os empregadores devem estar preparados para interagir com cada um conforme necessário. Por exemplo, uma vez que o trabalhador entra no Brasil, o empregador muitas vezes ajuda na inscrição na Polícia Federal, agendando uma vistoria para obter a Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM) e o número RNM na delegacia da Polícia Federal.
Manutenção da Conformidade Contínua no Brasil
Mesmo após a concessão do visto, o empregador continua responsável por manter o status legal no Brasil. Se a situação do funcionário mudar (cargo, salário, término de contrato ou término de contrato), o empregador deve notificar as autoridades de imigração ou solicitar uma nova autorização.
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